sábado, 5 de fevereiro de 2011

A PARTIDA





A Partida Altemar Dutra
Ah! Se você me deixar
Me deixe devagar
Se é hora de partir
Que parta sem eu ver
não custa me mentir
não custa eu não saber

Ah! no instante de seguir
Que siga sem sorrir, aperte a minha mão
Me cante uma canção, me faça acreditar
que tudo vai voltar

Não, não diga que se vai
Me engane quando for
Invente se puder qualquer frase de amor
Não fite os olhos meus
Para eu não ver adeus

E vá com Deus deixe em paz minha vida
Me acostumei a ver tanta partida
E se eu chamar nunca olhe pra traz
Para eu não chorar

SAUDADE DA BOEMIA




Encaixando como as rimas de uma poesia,
lembro-me saudoso os momentos da boemia,
quando passava noites com os poetas a cantar.
Tantas noites passadas com canções de amor,
emoções que foram trocadas pelo computador,
isso só serviu, para entristecer o luar.

Cantigas e vozes que saiam do coração,
hoje buscam nos sites, esqueceram o violão,
nunca mais vi, um pandeiro e nem cavaquinho.
Para não perder esse tão saudoso costume,
saio nas noites, mas não encontro o perfume,
que enchiam minhas noites de amor e carinho.

Um tempo de saudades que mereciam um prémio
que hoje e só recordação para esse boémio,
de tantas noites, que com canções se alimentou.
Hoje, são muito mais longas as madrugadas,
como antes as músicas não são ao vivo cantadas,
quanta saudade, que o tempo não levou...


GIL DE OLIVE


A gente só percebe que Deus existe quando não precisa mais dele.
Chegando em casa, madrugada, após mais uma noite num bar, com as mesmas pessoas, a mesma cerveja, o mesmo cansaço e a vida.
“Havia tristeza, orgulho e audácia.” Clarice Lispector.
É preciso. Dor e solidão.
A alegria plena, extasiada, completa, que enche bochechas e dentes, que incha, sem o menor brilho, não me interessa.
Vive perto da ignorância vazia.
Não a ignorância sutil, inocente, que nos surpreende. Mas a que faz o caminho dos que se perderam na submissão.
Aquela que esconde de si mesma os sentimentos e orgulhos. E do mundo.
É preciso. Saber rir. Fazer rir. Com humor quente e sorriso simples.
Sem a frigidez de quem ri de tudo sem esquentar a garganta.
É preciso. Dar o nó. No sapato, na gravata e no paletó. Mas principalmente na garganta.
Quem não tem nó na garganta, com nada, se espanta.
É preciso. O canto sôfrego de amor e desejo. Esbarrando nas quinas.
“Quem é que tem pudor quando gosta?” Alaíde, Vestida de Noiva. Nelson Rodrigues.
O homem É o lobo do homem.
Se faz triste e se faz feliz.
Se faz velho e se faz menino.
Faz carroça e faz carruagem.
Faz tatuagem e faz engrenagem.
Faz-se vida e faz-se morte.
A gente, só percebe…
Que Deus existe… impreciso.
O homem é o Deus do homem.
Fé.
Raphael Vidigal

Fonte: Caminhos dos Excessos

CARTA AO MEU PAPI



AO AMADO PAPI

Na asa encantada do amor por ti
Busco-te unicamente para repousar
Minha saudade.
E sonhando vejo teu sorriso meu pai
E num abraço apertado, entrego-te
Meus medos, minha inseguranças, meu sofrimento.
Olho-te e me defronto com seus olhos entrefechados
Tranqüilos de amor.
Querido e amado papai
Perdoa-me pelas fraquezas,
Sinto falta de suas palavras mágicas, sentada
Diferente a arvore que te embalou tantas vezes
Uma poesia, um canto
Hoje estas repletas de andorinhas, nas asas de uma pediram
Para que entregue a ti essa carta de amor!

Saudades papai querido, do seu cheiro, das suas mãos
Que acarinhava meu rosto, do doce e eterno olhar
Que me ensinou muito da vida.
Desculpa papai às vezes sinto falta de ser apenas uma menina!
Beijos eternos!
Adriana Paranhos Leal

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

FAMILIA


Na família encontro meu refugio minha morada, e na minha terra retomo minhas forças, me banho nas águas da vida fico energizada...
E volto para mais um dia...
Para mais uma passagem...
E esperando o sol brilhar e a chuva cair,
as flores se abrirem
E seu perfume em mim abraçar.
Adriana Leal

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

terça-feira, 15 de setembro de 2009

INTRODUÇÃO!



Passando por campinas e me deparei com uma placa...
· Lá estava:Rua Eng. Haroldo Paranhos.
· Com meus filhos no carro logo se puseram a perguntar
· Tirei até uma foto nesse encontro.
· Voltando para São Paulo minha mente ainda estava lá nas palavras soltas num presente passado.
· Inúmeras vezes tive vontade de contar quem ele era para quem não o conheceu.
· Falar de suas obras, família e de sua passagem pela literatura brasileira
· Comecei com aquela nota de jornal,que papai orgulhava-se em le/rong>
Arita Damasceno Pettená
Publicado No Correio Popular De Campinas
Domingo dia 02 de junho de 1974





Quando ele se sentiu cansado e vencido pelos anos, escolheu Campinas para morada de seus cabelos brancos. Para cá trouxe a mulher, filhos, e junto deles, dividia as horas tocando piano, escrevendo livros, fazendo amigos.
· Apaixonado por poesia declamava versos como ninguém e mesmo aqueles, que pareciam indiferentes a arte do parnaso, sentiam-se logo atraídos pelos grandes vates, tal a força de expressão que Haroldo Paranhos sabia por em cada linha de um poema.
· Pertencendo a uma das famílias mais ilustres do Brasil império e republicano, era ele neto de Barão de Palma da Bahia e sobrinho neto do Visconde do rio Branco.
· Como primo ainda do Regente Feijó, recebeu segundo premio no concurso do Departamento Municipal de cultura de São Paulo pelo perfil que tão bem lhe soube traçar.
· È que se dedicando a difícil arte de escrever, o Dr. Haroldo Paranhos nunca se descuidou de dados imprescindíveis e exatos, porque sabia serem eles importante na confecção de uma obra. E foi imbuído desse espírito de pesquisador cociente e responsável, é que deu a sua pátria dois volumes de “historia do romantismo do Brasil”, em edições esgotadas, e que retratam fielmente, as figuras de nossa historia literária, dos anos 1500 e 1850.
· O terceiro volume em fase de acabamento haveria de ficar somente entre os seus, porque a morte quando chega não pede licença a ninguém nem mesmo quer saber se há algo ainda a terminar.
· Assim no dia 20 de maio de 1960, o “Correio Popular”, em noticia de destaque, comentava-lhe o falecimento e entre outros dados, dizia ter sido ele Secretário de Estado do ex-presidente Artur Bernardes; Engenheiro-chefe da divisão de águas de Ribeirão Preto; Engenheiro e construtor do teatro de São João Del Rey, em minas; de vários ramais de estradas de ferro, também em minas e,finalmente um dos construtores da estrada de ferro de Santos Juquiá
· O que a imprensa, no entanto, desconhecia é que sendo ele um freqüentador assíduo do centro de ciência; autor de varias obras como “Álvares de Azevedo, sua vida é uma obra”, ”Manoel Antônio de Almeida, sua vida e obras”, ”Visconde de Taunay, sua vida e obras”, Schumam como critico”, além de dois trabalhos originais de engenharia, ”solução do problema das enchentes do Largo do Piques” e “saneamento do lago de Santo Amaro”
· Ele teve amarga decepção de ver seu nome rejeitado por um dos integrantes da academia Campinense de letras, quando alguém soprou aos ouvidos daquela entidade que nada mais justo que incluí-lo como um dos seus próximos membros.
· Ele que recebera cartas de quase todas as academias de letras do Brasil, reverenciando-lhe o trabalho “de fôlego”, ”metódico”, ”profundo”, ”de grande valor pela originalidade no modo de encarar o assunto, pela profundeza na investigação e exposição, via se agora esquecido pela terra onde já habitava há quase dez anos e que, de coração, escolhera para viver seus últimos anos.
· E por isso morreu magoado com campinas, se bem que de tudo isso não tivesse culpa a terra, mas sim os homens que traçam os seus métodos de seleção, porque têm medo que a luminosidade dos verdadeiros valores ofusque ainda mais a nulidade de seus pseudo-s dons.
· Hoje quase quinze anos passados de sua morte, nada é mais justo que este chão bicentenário,fazendo uma reconsideração dos nomes que fizeram a sua historia,tirasse do baú do esquecimento criaturas que foram legenda um dia e que deram, sem nada pedir, um pouco de si na construção de um ideal maior.
· Haroldo Paranhos foi um deles.
· E por isso nada mais justo, repito que dar a uma delas o nome desse grande engenheiro e escritor, para que os seus filhos, netos bisnetos e inúmeros amigos que aqui deixou pudessem dizer a sua passagem:
· “este é mais um ato de justiça e gratidão que campinas presta a um homem que soube dignificar as nossas letras, contando, com graça e beleza, história do nosso romantismo porque afinal de contas como ele mesmo dizia, no prefacio de sua obra,eram:_”Fruto de trabalho exaustivo de indagações,dá-lo-emos por bem aproveitado se leitor paciente de escolher alguma coisa que lhe deleite o espírito,aprendendo,ao mesmo tempo,a conhecera vida e a obra dos numerosos brasileiros ilustres,cujas sombras desfilam pelas suas paginas,animadas por tudo quando lhes podíamos dar de nossa inteligência e de nosso coração.”




Ah! Vamos nós também, e tempo, amigo,
Dar pasto ao coração, dar pasto à mente;
Dos prazeres o gênio fugitivo
Ao vale solitário nos convida.
Que sol danoso!Que ar embalsamado!
Que vasta paisagem encantadora!
ta a natureza;
E’mãe; tudo respira almo deleite
O Mondego, que ao longe vai descendo,
Semeados casais de espaço a espaço,
Entre pálido bosque de oliveiras,
Cingido de montanhas ondeantes.
Pêndulos pomos dos copados ramos
Dauriverdes cremitas laranjeiras;
Brandos cicios de subtis favônios
Pelos viçosos trigos discorrendo
Vertem no coração ditame santo,
Aliviam lembranças magoadas.
Oh!Saudade, que pungem tão agudas
Nos sítios, onde a pátria nos recorda!
Aqui tudo me traça os pátrios campos;
Tais de brincada cor os apovonam,
Tais os povoam multidão ali gera,
Quais pairam sobre nós e vem fugindo
Das tenebrosas “regiões polares
Haroldo Paranhos

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