terça-feira, 17 de fevereiro de 2009




AH! OS RELÓGIOS

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...

Mario Quintana -

A violeta



(A uma icógnita... )


A ROSA vermelha
Semelha
Beleza de moça vaidosa, indiscreta.
As rosas são virgens
Que em doudas vertigens
Palpitam,
Se agitam
E murcham das salas na febre inquieta.


Mas ai! Quem não sonha num trêmulo anseio
Prendê-las no seio
Saudoso o Poeta.


Camélias fulgentes,
Nitentes,
Bem como o alabastro de estátua quieta...
Primor... sem aroma!


Partida redoma!
Tesouro
Sem ouro!
Que valem sorrisos em boca indiscreta?


Perdida! Não sonha num tremulo anseio
Prender-te no seio
Saudoso o Poeta


Bem longe da festa
Modesta
Prodígios de aroma guardando discreta
Existe da sombra,
Na lânguida alfombra,
Medrosa,
Mimosa,
Dos anjos errantes a flor predileta


Silêncio! Consintam que em trêmulo anseio
Prendendo-a no seio
Suspire o Poeta.


Ó Filha dos ermos
Sem temos!
O casta, suave, serena Violeta
Tu és entre as flores
A flor dos amores
Que em magos
Afagos
Acalma os martírios de uma alma inquieta.


Por isso é que sonha num trêmulo anseio,
Prender-te no seio
Saudoso o Poeta! ...


Delírio

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...

Olavo Bilac


Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.

Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.

E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;

E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.

Olavo Bilac

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

CARTA AO CÈUS AO MEU PAI


Adhemar Paranhos
Remeto aos céus
Essa carta que te escrevo
Que em algum lugar ela o encontrara
Tenho passado minhas tardes revivendo nosso passado
Que parecem repetir nesse momento de tão vivo que esta dentro de mim.
Assanhava as tardes com suas melodias, palavras encantadas
Palavras nos seus lábios jamais eram perdidas, sábias e tranqüilas
E nela refaço versos em busca de rimas
Encanto-me em falar de suas palavras e ensinamentos
De ter conhecido o maior romântico de tempos
Onde fazia flor ar versos como cantos
Onde te via apreciando os pássaros e as flores
Papai foi um homem visivelmente sério, num sorriso contido.
Buscava na vida a respostas que já tinha
Ele era e é o homem que amo
Era meu Pai
E eu sua filha
Adriana Leal

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Carta ao Meu Pai




Ele me deu a vida
Ele me ensinou tudo o que sou
Dele recebi o mais puro amor
Suas palavras eram doces
Suas atitudes muitas vezes eram severas
Tudo fez parte da proteção que sempre me dera
Quando olho para as estrelas o vejo brilhar
Suas mãos ainda consigo visualizar
Paizinho querido
Sentirei saudades eternas
Sei que um dia vamos nos reencontrar
Ainda tenho muito amor para te dar
Você vive dentro de mim e assim sempre será
Meu amor por você jamais acabará"

Não sou poeta e nem mesmo entendo disso, mas quis escrever em forma de melodia o que meu pai representou e sempre representará em minha vida.
Tenho muito orgulho de ser filha de um ser tão lindo e muito grata por tudo o que ele me ensinou!!!
Simone Paranhos

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Meu Pai

Vem reler a minha mão
E desmentir o céu
Vilão das madrugadas
Sem dormi
Meu dia cede ao verso da canção
Entre paixões e poemas
Num bar em plena avenida
Assim é ele romântico boêmio
Adhemar Paranhos

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